22 de abril de 2017

03 | Bate-Papo Daily Com: Fernanda Faria

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Na 5° edição da nossa revista online, batemos um papo exclusivo com Fernanda Faria, que fica responsável pelo marketing na carreira de Zé Felipe. Selecionamos quatro perguntas de nossos seguidores que nos acompanham no Instagram e o bate-papo vocês podem conferir:

1.
Antes de seguir carreira como publicitária, teve dúvida em algum outro curso? Como surgiu o convite para trabalhar na Talismã?
Fernanda Faria: Até o segundo grau eu achei que faria alguma coisa ligada à área da ciência. Acabou que no cursinho, descobri que não queria mais e acabei me interessando muito pelo curso de Comunicação Social, por isso fiz publicidade. No meu segundo período de faculdade, eu fui trabalhar com um vereador e ele pediu para eu escrever uma letra de um jingle. Um amigo meu que era musico produziu e tornou-se o jingle da campanha desse vereador. Ele gostou muito e tinha uma agência que cuidava da campanha dele e ele me colocou nessa agência. Quando ele ganhou a eleição, ele me fez o convite para trabalhar no gabinete e cuidar da parte do marketing, mas eu continuei na agência para poder passar por todas as áreas dentro da publicidade. Na agência eu tinha um cliente do ramo de calçados e ele era amigo do Eduardo Costa, na época o Eduardo estava no segundo CD da carreira dele e esse cliente o levou para a agência. Quando a carreira dele começou a dar sinais ele me fez o convite para trabalhar com ele e eu aceitei. Trabalho com ele há dezesseis anos. Fiquei cinco anos com ele no escritório e oito anos na estrada. Em dezembro de 2011 resolvi sair da estrada e acabei recebendo um convite do Willian para trabalhar na Talismã, que estava sem um profissional de marketing, então eu dividia entre o Eduardo e a Talismã e atualmente sou Gerente de Marketing/Produto e muito feliz. 

2.
Você se imaginou trabalhando em um escritório tão importante como a Talismã? Qual caminho você traçou?
Fernanda Faria: Nunca me imaginei mexendo com música. Sempre gostei de política e do ramo de publicidade, porque mexer com a criação e a emoção das pessoas me move. Nunca pensei que viria para o escritório, porque aconteceu tudo que meio junto. Eu trabalhava para o Eduardo no escritório dele quando ele entrou na Talismã, que antes gerenciava apenas a carreira do Leonardo. Então, o escritório foi crescendo e veio a Paula Fernandes, que eu conhecia há algum tempo, desde a época que ela cantava em uma casa de show que eu trabalhava em Belo Horizonte e vê-la chegando à Talismã e se transformando nesse fenômeno foi muito gratificante. Foi um crescimento para todo mundo, muito familiar. Por isso que a empresa tem outra conduta, pois somos todos amigos um do outro devido à história por trás disso. Todo mundo participou e cresceu junto.

3. 
Qual o grande desafio do seu trabalho e o maior obstáculo diante de algumas fãs?
Fernanda Faria: Trabalhar com música é um grande desafio, porque não é como a Coca-cola que tem um planejamento estratégico e anual. É um produto físico, porque se o consumidor não gostar da cor da latinha ou sabor, vão mudar. Agora a gente não vende o artista, a gente vende sonho e sentimento através da música. Então, o grande desafio é fazer a música chegar a vida das pessoas, é fazer aquela música virar trilha sonora da sua vida, é marcar a nossa vida, no geral, do fã ao artista. Eu lido com a música com amor, além de tudo, o meu artista não é um produto, ele também tem sentimentos. Tem dias que ele não quer falar, ele também sofre e também tem problemas. Devemos filtrar que ele não é um produto e saber conduzir a situação. E em relação ao fã, nunca vi como um obstáculo. O fã sem sombra de dúvida é o maior patrimônio de um artista, ele não é nada sem o fã. Eles são um patrimônio que realmente não tem preço.

4. 
Na sua infância, qual era seu objetivo de vida? Você já se imaginou nessa área que está atualmente?
Fernanda Faria: Na minha infância eu oscilei um pouco, pensei em fazer medicina ou veterinária, mas acabou não dando certo e eu acabei cursando Publicidade e Propaganda. Foi um desafio, porque minha irmã é professora e existe aquela história de profissões tradicionais. Quando passei para o curso, minha mãe não me apoiou de início e como era isso que eu queria decidi seguir em frente.

5. 
Você sempre trabalhou com o meio artístico?
Como é sua relação com o Zé?
Fernanda Faria: A minha carreira profissional praticamente foi na música. Já trabalhei em shopping como vendedora, de secretária no escritório do meu pai e depois que comecei o estágio da faculdade já vim seguindo a minha profissão. Já agenciei e gerenciei carreiras de vários artistas, como do Cristiano Araújo, que era um grande xodó, uma paixão que eu tinha.
O Zé me chama de “mãe preta”, e é uma relação realmente de mãe para filho. A gente convive muito, às vezes nem sempre estou com ele, mas a gente se fala todos os dias, pelo menos umas quatro vezes ao dia, e sempre que acaba um show ele manda um áudio. A gente tem uma relação muito saudável e muito gostosa de viver, porque não é só profissional. O Zé me liga convidando pra comer alguma coisa, eu falo pra ele quando não pode fazer alguma coisa ou ir a algum lugar, então, a gente tem essa cumplicidade. Pelo fato dele vir morar em São Paulo, eu me sinto um pouquinho parte dele, responsável por ele, é uma relação de muito afeto, muito amor e muito carinho. Já o conhecia antes, ele sempre ia aos shows do Leonardo e ele sempre foi muito educado e carinhoso, ele chegava e abraçava, sempre se portou como o ‘Zé Felipe’, nunca ouvi da boca dele “eu sou o filho do Leonardo” “esse camarim é do meu pai”, ele nunca foi assim. Minha relação com o Zé é de amor materno.

6. 
Como você concilia tanta responsabilidade com o trabalho e tempo para você mesma, família e namoro?
Fernanda Faria: Confesso que não é fácil e não tem dinheiro que pague isso, é por amor, porque realmente quando você se coloca no campo, não tem dia, hora e literalmente não tem lugar. O artista é isso, a gente trabalha durante a semana em prol e no final de semana ele executa aquele trabalho que envolve todo mundo, mas quando acontece algum imprevisto, a empresa não para, então é muito difícil você se desligar, ainda mais a minha relação que é muito direta com o artista. Como eu faço o que eu realmente amo, isso não é trabalho, está no sangue. Eu moro em São Paulo, a minha família em Contagem (Minas Gerais) e eu procuro ir pelo menos uma vez por mês ver a minha família, ficar com a minha família, eu ligo todos os dias, trago eles para eventos e assim vou tocando a vida. Ser mulher nesse meio é complicado, porque liderar uma equipe com 40 homens não é fácil, por isso eu tenho essa fama de brava, mas eu precisei ser assim para eu poder vencer o bloqueio desse meio, mas eu sempre me posicionei, entrego o meu trabalho e faço o que for possível.



7.
Fernanda, pelo tempo que você convive com o Zé Felipe queria perguntar quais são pra você as principais qualidades do Zé e qual você mais admira?
Fernanda Faria: O Zé é aquela pessoa que encanta, sabe? Que é gostoso estar perto dele. Ele é carinhoso na forma de tratar, na forma de conduzir e aquele cara que te liga para falar de trabalho, mas preocupa perguntando como você está. O Zé tem essa virtude desse carisma dele ser muito de verdade, é uma qualidade que é dele. Ele é muito focado, apesar do pouco tempo de carreira, o Zé não para, ele quer cada vez mais, ele quer produzir, ele tem essa virtude de respirar música, às vezes ele emburra quando contrariam alguma vontade dele, mas a gente explica que é para o bem dele, então ele tem essa qualidade de saber ouvir mesmo quando não quer, de saber respeitar a opinião da equipe. Ele é uma pessoa que valoriza quem trabalha por ele.

8.
Entre todos os artistas que você trabalha nota-se uma maior aproximação com o Eduardo Costa, essa aproximação iniciou de uma fã que tornou-se amiga (assim como a relação dele com o Leonardo), ou vice-versa? Considerando a fama de garanhão do Eduardo Costa, conte-nos como é a relação de amizade entre vocês?
Fernanda Faria: Eu devo pelo menos 60% da minha carreira profissional a ele, porque a gente começou junto e aprendemos juntos. Ele sempre foi um cara que me ensinou, me estimulou e sempre pensou positivo. Para ele não tem tempo ruim, é muito trabalhador, a mente dele não para e mesmo quando não tinha dinheiro, ele incentivava a gente a fazer tudo que a gente podia da melhor forma possível. Então, a minha aproximação é de irmã, eu tenho o Eduardo como meu irmão, afinal, são quase dezessete anos de convivência, de conviver com o artista e com o Edson. Eu tenho uma coisa, que, quando eu olho pra ele, sei o que ele está pedindo, o que ele está pensando, o tempo construiu essa afinidade. Nós passamos muitos perrengues juntos e hoje virou história. A fama de garanhão, o Eduardo foi assim desde sempre, mas a nossa relação é de irmandade mesmo, ele nunca me envolveu na vida pessoal de relacionamento, sempre foi muito focado no trabalho, sempre foi com muito respeito, sempre foi um cara que se posicionou ao meu respeito. Podia ser quem fosse, se me passasse alguma cantada ele intercedia e aquilo não acontecia então à relação entre a gente é de irmandade, como se fôssemos irmãos de sangue.

9. 
Com o passar do tempo, percebe-se que houve um grande amadurecimento profissional, qual foi na sua opinião, a maior mudança e a maior dificuldade desde que começou a trabalhar com o José?
Fernanda Faria: Todo artista é uma caixinha de surpresa. Eu falo que trabalhar com música, não existe a fórmula do bolo, existe o caminho que a gente traça o Zé Felipe, que traça o Eduardo Costa, que traça o fulano, que traça o ciclano, não é igual. E também não tem fórmula do sucesso, a gente tem caminhos que nós acreditamos que são caminhos que podem dar certo, mas música é quase que jogar na loteria. Todo mundo fala que música e futebol são muito parecidos, mas eu não acho, porque quando a pessoa é boa de bola, ela é boa e ponto. Desde a infância já vai para uma escolinha que começa a fabricar jogadores; e artista não, a música não é dessa maneira. Então, desde que a gente deu start na carreira do Zé, Eu nunca tinha trabalhado nem tido um público tao teen, porque o Eduardo nunca teve, o próprio Cristiano também não, a Paula Fernandes também não, então assim, esse público pega criancinha, você vê uma criança de cinco anos cantando Zé, isso foi inédito pra mim. Realmente foi um desafio para minha carreira, lidar e traçar isso. O lance das pessoas entenderem que o Zé Felipe não é o Zé Felipe filho do Leonardo, ele é o Zé Felipe por mérito dele, da carreira dele, o que ele conduz e do que ele grava. Durante um ano todo mundo falava “ah é o filho do Leonardo”, é claro que não tem como você não se referir, ainda mais se tratando do maior ídolo da nossa música que é o Leonardo, mas foi um desafio não desvincular, para as pessoas começarem a assimilar que o Zé Felipe tinha a carreira paralela com o pai, que o Zé não ia gravar as músicas mais antigas igual o pai, que ele era filho, mas ele tinha o estilo dele musical, tinha personalidade. Então, acho que ao longo do tempo a gente conseguiu desvincular para as pessoas entenderem que ele era um sucesso independente do pai, que ele tinha o talento dele, ele tinha a benção e a sorte, abençoado de ser filho de um homem tão maravilhoso e tão querido como é o Leonardo, mas foi um desafio.

10. 
Nós sabemos que o marketing exige muita criatividade por parte de quem o faz, e por acompanharmos a carreira do José, sabemos que as inovações são constantes. Você procura se inspirar em outras pessoas da área, ou busca uma identidade própria a cada novo trabalho com ele?
Fernanda Faria: Em relação ao marketing, eu sou uma pessoa que procuro ser antenada a tudo dentro do meu departamento eu tenho outros setores. Eu gosto muito de conversar, eu sento com o cara do rádio, o contratante, com o mercado digital, eu sento com um, com outro, eu gosto de ouvir e peneirar um pouco de tudo que está acontecendo. Então, pelo fato de eu ter feito estrada, eu não sou uma pessoa que só estou no escritório e enxergo aquele universo, eu sei como é lá fora também, e por isso que eu sempre estou em show para ver de perto o que acontece, eu busco ir no show não para ver meu artista, eu vou para sentir o calor do povo, quero observar o olhar do fã, a emoção, se canta, se não canta e como é que está sendo um todo. Então, quando você respira o que você vive, você consegue tem um feeling maior do que você quer atingir, do que você precisa melhorar, do que os fãs estão querendo escutar e da maneira que o artista precisa se comunicar. Eu faço cursos, estou ligada não só no entretenimento, mas também a outras áreas. Busco tudo que dá certo até para tentar transformar para dentro da nossa música, para não cair na mesmice e a gente tentar sair na frente tentando inovar. Então, existe essa troca de relação e de informação, essa busca de consumir um pouco de tudo acaba abrindo a cabeça pra gente pensar e entregar um trabalho e um resultado melhor.


O Eterno Cristiano Araújo
     Durante nossa conversa, Fernanda relembrou dos momentos que passou ao lado do cantor e compositor Cristiano Araújo, que faleceu em 2015 vítima de acidente de trânsito. Ficamos emocionadas e com a autorização dela vamos compartilhar com vocês.

     O Cris sempre achou que era gordinho, achava que era vesgo e a primeira sessão de fotos que fiz com o Cristiano foi algo assim “vamos fazer uma sessão de fotos depois de amanhã?”. Liguei pra Maris que é figurinista hoje em Goiânia e que não exercia este cargo, ela sempre gostou muito de moda, tinha uma confecção e loja apenas.
 — Preciso que você seja figurinista do Cristiano depois de amanhã. 
 — Como assim? Eu não sou figurinista. 
 — Maris, bom gosto não te falta. Eu tenho o briefing do que eu quero pra ele, porque eu acho o Cristiano lindo e ele tem que despertar o sex appeal (encanto sensual) que ele tem. 
     Então, o primeiro trabalho que ela fez como figurinista foi com o Cristiano. Falei pra ela que não tinha encontrado nenhum profissional, porque ninguém queria e ela era minha única opção. Passei todas as referências e ela correu atrás. A partir daí, ela tomou amor por isso pelo fato de sempre gostar de moda e acabou se tornando figurinista dos artistas. E nesse ensaio coloquei uma música super alta de boate e comecei a dançar pra ele.
 — Finge que você me quer, faz de conta que sou uma mulher gostosa. Olha pra mim com um olhar sexy.
     Acabou saindo um ensaio incrível. Acho que as fotos mais lindas dele foi desse ensaio, porque ali ele se tornou galã e foi uma história bem bacana.


     Tenho na minha casa a camisa que o Cris usou no Faustão e quando acabou o programa ele estava super emocionado devido a história do sapato. Ele tirou a camisa e falou:
 — Fê, eu queria muito que você levasse essa camisa pra sua casa, porque se eu levar pra minha ela vai se perder e quando eu tiver a minha casa, você coloca essa camisa em um quadro.
     Foi um marco muito importante na carreira dele, não só por ter ido ao Faustão, mas existiu uma promessa entre ele e o pai dele por causa da história do sapato.

Cristiano Araújo foi descoberto no quadro Garagem do Faustão, em 2011. No ano seguinte, foi a vez de Cristiano pisar no palco do Domingão pela primeira vez, realizando um desejo antigo.

     O Cristiano foi uma das pessoas mais incríveis que eu tive a oportunidade de conhecer e conviver. Foram dois anos de trabalho e ele era um gênio e tinha carisma. Ele era diferente, realmente um cara diferenciado. Eu tenho muita história, eu tenho muita saudade dele.
     Ninguém sabe o que se passa na cabeça de um artista, mas quando a música dele entrou na novela Salve Jorge, o Bará Berê, ele me ligou desesperado.
 — Fê, você tem certeza do que está fazendo? As pessoas vão achar que só sei cantar Bará Berê. Eu canto muitas músicas românticas, não canto só besteirol.
 — Cris, fica tranquilo. Confia no trabalho da gente, nós sabemos o que estamos fazendo.
    Ele era genial, de uma alma, carisma e tinha um sentimento. Aquele cara que te mandava mensagem parabenizando pelo dia da mulher. Isso era tudo de verdade!


     Eu já me peguei emocionada várias vezes assim de abaixar a cabeça e meu olho encher d’água, porque o Zé Felipe tem algo muito parecido com o Cristiano no tratamento comigo que eu não sei explicar. Ele faz umas brincadeiras na minha frente, umas danças e às vezes a maneira de chamar é como se eu visse o Cristiano. Eu acho que foi a Maria que trabalhava para o Cristiano que me disse que algumas atitudes do Zé lembram o Cristiano. Então, tem coisas que o Zé Felipe faz, gravando um programa, dando uma risada ou uma dançando que eu saio de perto porque me lembra muito o Cristiano.

Um lembrança engraçada
    O Cris transpirava muito e sempre que a gente ia gravar um programa ele reclamava dizendo que ficaria com uma pizza debaixo do braço, e como a gente estava sem tempo, dei uma dica pra ele colocar um absorvente e ele colocou. Durante a gravação o absorvente começou a escorrer pela blusa e ele tentava segurar enquanto cantava. Ele era um querido, sinto muita saudade dele, mas ainda bem que Deus me deu o meu “fiote”, o Zé Felipe.

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